Mestrado em Estudos Ibéricos

Programas Curriculares

Literaturas Ibéricas I

No espaço da Península Ibérica desenvolvem-se diferentes literaturas, quer em línguas maioritárias (espanhola e portuguesa), quer em línguas minoritárias (galega, catalã, basca), que compõem um mosaico literário de extraordinária pluralidade. Apesar desta heterogeneidade, as raízes culturais e históricas subjacentes a essas literaturas são, em muitos casos, comuns.

Com esta disciplina pretende-se estudar tópicos recorrentes nestas literaturas, podendo estes incidir sobre temas tratados em diferentes épocas, desde a Idade Média até ao Século XVIII, com particular destaque para o bilinguismo literário na poesia e no teatro, e a influência da literatura do Siglo de Oro espanhol em Portugal. Serão analisados diferentes géneros, como, por exemplo, a lírica galaico-portuguesa; as crónicas medievais; a poesia renascentista; a narrativa de cavalaria e o teatro barroco, correspondentes a momentos em que as literaturas seguiram e partilharam percursos comuns em função de factores históricos e também de correntes estéticas.

Literaturas Ibéricas II

Nos Séculos XIX e XX as diferentes literaturas ibéricas preocupam-se especialmente por construir uma identidade própria dentro do contexto das literaturas europeias. As novas correntes estéticas introduzem-se na Península, provocando o aparecimento de diferentes manifestações literárias que adaptam, nos vários géneros, a tradição cultural ibérica - herdeira duma história comum - aos novos condicionamentos externos. Esta disciplina tem como objectivo definir e abordar tópicos recorrentes em movimentos e escolas como o Romantismo, o Naturalismo, o Costumbrismo , o Simbolismo, o Decadentismo, o Modernismo, as Vanguardas, o Neo-Realismo, etc, no contexto plural da Península Ibérica.

Literatura Portuguesa

A disciplina de Literatura Portuguesa tem como objectivo fundamental o desenvolvimento do estudo de matérias específicas da literatura portuguesa (temas, obras, autores, movimentos literários) já introduzidas no âmbito da disciplina de Literaturas Ibéricas.

Enquanto disciplina de opção, ela procurará corresponder ao interesse dos alunos relativamente a determinados aspectos da literatura nacional que terão aqui o seu espaço de aprofundamento.

Literatura Espanhola

A disciplina de Literatura Espanhola tem como objectivo fundamental o desenvolvimento do estudo de matérias específicas da literatura espanhola (temas, obras, autores, movimentos literários) já introduzidas no âmbito da disciplina de Literaturas Ibéricas.

Enquanto disciplina de opção, ela procurará corresponder ao interesse dos alunos relativamente a determinados aspectos da literatura nacional que terão aqui o seu espaço de aprofundamento.

Literaturas Latino-Americanas

Esta disciplina pretende salientar os principais momentos e autores das diferentes literaturas americanas em língua espanhola e portuguesa, estabelecendo paralelos históricos e estéticos entre os autores mais envolvidos na dimensão transoceânica das literaturas ibéricas.

Das tradições indígenas e da visão da criação do mundo presentes em obras como Popol Vuh , até as manifestações literárias dos grandes autores latino-americanos do século XX (Borges, Rulfo, Cortázar, Guimarães Rosa, Lispector, J.J. Veiga, entre outros), as literaturas latino-americanas têm estado em constante interacção com as literaturas ibéricas, construindo um vasto espaço cultural baseado em tradições comuns.

Literaturas Africanas em Língua Portuguesa

Estas literaturas são de formação relativamente recente. Para além disso desenvolvem-se e consolidam-se num contexto bicéfalo, entre as culturas tradicionais africanas e a cultura europeia, quer a popular (levada por colonos, funcionários, comerciantes e militares), quer a erudita (garantida sobretudo pelo sistema de ensino formal e pelos normais circuitos de comércio bibliográfico).

Neste contexto, elas ilustram um processo peculiar que nos permite pôr à prova diversas teorias literárias, criadas em função da história literária europeia ou euro-americana. Seguindo uma linha temática, entre as várias que podiam ser exploradas, experimentam-se as várias teorias sobre as 'literaturas nacionais' e a diferenciação literária para ver quais delas resistem à prova africana. Aproveita-se o facto de se tratar de formações recentes para verificar como se vão diferenciando os corpora literários dos diversos países, uns em relação aos outros.

Matrizes Clássicas das Literaturas Ibéricas

A disciplina de Matrizes Clássicas das Literaturas Ibéricas centra, de forma crítica, o seu objecto nos grandes modelos literários da Antiguidade Clássica, que se constituíram como elementos definidores de géneros e temas da literatura Ibérica. O programa, embora contemple o estudo de relação entre textos teóricos e literários da Antiguidade, privilegia o estudo da tragédia, da épica e do romance, bem como a problematização da sua influência nas literaturas posteriores.

Enquanto disciplina de opção, ela procurará corresponder ao interesse dos alunos relativamente a determinados aspectos da literatura nacional que terão aqui o seu espaço de aprofundamento.

Historiografia das Línguas Peninsulares I

Com o objectivo de traçar a especificidade do pensamento linguístico em torno das línguas peninsulares, em estreita relação com os dados de ordem histórica, social e cultural, no âmbito desta disciplina serão tratadas problemáticas relativas às origens e à formação das línguas actualmente faladas na Península.

O programa privilegiará sobretudo as épocas e as questões fundamentais tanto no que tange à reflexão linguística como à história das próprias línguas (português, galego, castelhano, catalão e basco), com particular incidência nas seguintes: a emergência da reflexão sobre os vernáculos peninsulares na época medieval (Afonso X, D. Dinis, os prosadores da Casa de Avis, por exemplo); constituição das tradições gráficas e instrumentos de codificação e normalização linguística; o desenvolvimento da consciência linguística vernácula entre os séculos XVI e XVIII (em particular, gramáticas, ortografias, dicionários).

Historiografia das Línguas Peninsulares II

Na sequência do programa da disciplina de Historiografia das Línguas Peninsulares I, de entre as problemáticas transnacionais e translinguísticas que, na Península Ibérica, configuram a teoria linguística dos séculos XVIII e XIX, serão tratadas as seguintes: as grandes correntes de pensamento gramatical; o século dos grandes dicionários; Academias e regulação linguística: a Real Academia Española (RAE) e a Academia Real das Ciências de Lisboa; a crítica ao galicismo; o problema dos sinónimos; da gramática filosófica à gramática científica.

Falares Fronteiriços

Esta disciplina propõe uma reflexão sobre os "falares fronteiriços" como fenómenos linguísticos específicos, resultantes da história das comunidades em que existem. Ao longo da fronteira política entre Portugal e Espanha, a Norte, com a Galiza, passando pela área transmontana do mirandês, variedade asturo-leonesa em território português, e única minoria linguística de carácter histórico em Portugal, até ao limite a leste, várias são as "falas" ou "hablas", com reentrâncias mais ou menos acusadas no território vizinho: Xalma, Alamedilla, San Martín de Trevejo, Eljas, Valverde del Fresno, Herrera, Cedillo, Olivença, Barrancos.

Propõe-se aqui uma reflexão sobre o conceito de "fronteira" linguística, a par da actualização do conhecimento das variedades portuguesas em território espanhol e das variedades castelhanas em território português, em especial as das vizinhas regiões do Alentejo e da Extremadura.

Línguas Minoritárias da Península Ibérica

Partindo da problematização do conceito de "língua minoritária", esta disciplina procurará dar a conhecer essas línguas, em particular a galega e a catalã, além de fornecer elementos relativos à sua história e situação actual no quadro das línguas peninsulares.

Tópicos de História das Línguas Peninsulares

Neste seminário serão aprofundados tópicos relativos à história das línguas peninsulares, em particular da portuguesa e espanhola. O programa contemplará os seguintes pontos: reflexão e discussão de questões de grafemática (histórica e descritiva) em articulação com os planos fonético e fonológico das línguas representadas; o estabelecimento de distintas tradições gráficas na Península Ibérica; "norma gráfica" e variedades orais; problemas gráficos em textos antigos (estudo de casos); variação e mudança nas línguas românicas peninsulares: métodos actuais e estudo de casos.

Culturas Ibéricas I

A disciplina visa os seguintes objectivos: tomar consciência, a partir de textos literários, escritos sobretudo em língua portuguesa e em língua castelhana, do fundo comum que une as várias culturas peninsulares.

Serão abordados, em particular, os seguintes tópicos: a literatura ibérica dos Descobrimentos e os cristãos-novos; a crise da consciência ibérica na prosa dos séculos XVII e XIX; o tema do iberismo em quatro autores modernos: Antero, Oliveira Martins, Unamuno e Teixeira de Pascoaes.

Culturas Ibéricas II

Esta disciplina visa o aprofundamento de tópicos e temas recorrentes na formação do universo cultural dos povos ibéricos, a partir de textos literários, com particular destaque para os seguintes: o tema do Encoberto nas várias literaturas peninsulares dos séculos XVI e XVII; o tema da reforma das mentalidades como tópico literário; o iberismo na modernidade literária e a modernidade do iberismo.

Formação dos Reinos Peninsulares (séculos XIII-XVII)

Esta disciplina procurará dar uma visão genérica sobre as principais fases da formação dos reinos peninsulares, desde a Reconquista até ao século XVII, acompanhando a definição das fronteiras geográficas entre reinos e a evolução do mapa político; a delimitação das atribuições régias e das formas de governação, bem como o contributo cultural para a construção das diferentes identidades políticas peninsulares.

Relações Artísticas entre Portugal e Espanha

Este seminário visa dar a conhecer e aprofundar as diversas vertentes do relacionamento, a nível artístico, entre Portugal e os restantes estados peninsulares, unificados como Espanha no final do séc. XV/início do séc. XVI. Com particular incidência nos períodos da Renascença e Maneirismo, em que tal se revelou mais fecundo, o programa contemplará a problemática da produção artística portuguesa no seio da monarquia dual e as formas de permanência da influência artística espanhola no contexto da Restauração.

Antropologia Ibérica

A disciplina visa fornecer uma visão global da produção antropológica sobre o território ibérico e comparar orientações, escolas e abordagens. O programa centrar-se-á nos seguintes aspectos:

Etnografia Portuguesa

A disciplina tem objectivos perspectivar a evolução da produção etnográfica portuguesa e abordar as actuais orientações etnográficas no terreno português. Serão tratados os seguintes aspectos: questões conceptuais:
a) Antropologia, Etnografia, Etnologia;
b) Os pioneiros da Antropologia Portuguesa;
c) Estudos de casos portugueses (De Jorge Dias a Brian O'Neill)

Literatura e Cinema

Este seminário propõe uma reflexão sobre a linguagem na Literatura e no Cinema. No seu âmbito, serão tratados os seguintes tópicos: a problemática dos meios de expressão em ambas as práticas artísticas; os confrontos entre entre a linguagem "natural" e a linguagem cinética; a operação textual do argumento; passar de um texto verbal para um texto indicativo da cinematização e a operação inversa; textos mistos - filmes literários e romances cinematográficos; a actividade inter-semiótica da adaptação: passar de uma linguagem para outra - planos, sequências, focagens, movimentos de ponto de vista e linguagem verbal; temas de mitos permutados entre as duas expressões artísticas: verbalidade, iconicidade, acções palavras e figuras.

Literatura e Teatro

A disciplina propõe um estudo das relações intersemióticas entre literatura e teatro tendo em conta a diversidade das posições teóricas e das modalidades práticas de realização da arte teatral nas sociedades e nas culturas europeias (séc. XVI-XX).

Serão tratados os seguintes conteúdos programáticos:

1. Componente teórica: tipologia e evolução das relações entre texto (dramático ou não) e espectáculo (representação teatral): o cânone aristotélico, a autonomização e a canonização do texto; a transformação do texto pelo espectáculo; a substituição do texto pela performance e a dimensão antropológica do teatro (Cf. Brilhante; Mateus).

2. Componente prática: estudo de casos: a recepção contemporânea dos autores clássicos: sacralização ou actualização do texto; corpus textual escolhido entre diversas tradições europeias da literatura clássica (Cf. Pavis); a recepção do teatro épico brechtiano nas culturas do Sul da Europa - teoria, textos e representação; corpus de trabalho verbal e não-verbal (documentos fílmicos e fotográficos sobre os espectáculos; a tradição do teatro de Shakespeare (Cf. Serôdio).

Literatura e Teoria da Arte

Com este seminário buscar-se-á uma reflexão centrada sobre questões teóricas, fundamentalmente em textos abordando a ligação das artes visuais com a literatura (nomeadamente com a poesia). O conteúdo programático incluirá os seguintes pontos:

A História da Arte como disciplina; evolução conceptual; perspectivas de abordagem da obra de arte; escrita sobre a arte. Crítica, teoria e história da arte; fontes, instrumentos de pesquisa e literatura artística - questões metodológicas; a ekphrasis e sua importância na cultura antiga. A Poética de Aristóteles; Ut pictura poesis - aspectos da teorização nos períodos renascentista e barroco; referência às perspectivas teórico-estéticas do Iluminismo e Romantismo; Pontos complementares de reflexão e problematização; arte e beleza: função social da arte; juízo crítico e valor artístico; original e cópias; a reprodutibilidade da obra de arte.

História da Música Ibérica

História da Música Ibérica: Renascimento e Maneirismo (c. 1492-1640)

A partir de uma abordagem essencialmente interdisciplinar, procurar-se-á pôr em evidência: a participação dos reinos de Portugal e de Espanha nos grandes movimentos estético-musicais europeus e os possíveis traços identitários que a Terão caracterizado; os contextos histórico-geográficos em que se desenvolve a música ibérica erudita nos períodos em causa; a contextualização histórico-institucional e sócio-económica da música portuguesa e espanhola nos períodos históricos considerados, em particular os seus usos, funções e códigos de significação sociais e culturais; a interacção da música com as outras artes; as grandes categorias do repertório musical erudito e as dinâmicas de mudança estilística do Renascimento e Maneirismo ibéricos; os contextos da criação e da execução musicais: a igreja, a corte e o teatro.

Pensamento Luso-Espanhol

I. INTRODUÇÃO - O sentido hispânico da realidade luso-espanhola
II. POSSIBILIDADES E LIMITES DE UMA CONVERGÊNCIA NO CAMPO DA FILOSOFIA
    1 - O krausismo em Espanha e em Portugal
    2 - A polémica entre Miguel de Unamuno e J. Ortega y Gasset, quanto à europeização de Espanha
    3 - A Renascença Portuguesa e a contraposição entre o saudosismo de Teixeira de Pascoaes e o racionalismo de António Sérgio
III. O INTERESSE FILOSÓFICO FRENTE A OUTROS INTERESSES - Discussão critica do alcance da concertação entre Portugal e Espanha, durante a II Guerra Mundial
IV. CONCLUSÃO - Um olhar português sobre a filosofia espanhola

Tempos Lectivos: 3 h semanais /seminário